segunda-feira, 18 de julho de 2011

Cem Anos de Solidão, p. 200

" - Que estranhos são os homens (...) . Passam a vida inteira lutando contra os padres e dão livros de oração de presente."

terça-feira, 12 de abril de 2011

Cem Anos de Solidão, p. 199

" '(...) o que me preocupa não é que você me fuzile, porque afinal de contas, para gente como a gente isto é morte natural' [ponderava o General Moncada ao coronel Aureliano Buendia, sobre sua sentença] (...) 'O que me preocupa é que de tanto odiar os militares, de tanto pensar neles, você acabou sendo igual a eles. E não existe um só ideal na vida que mereça tanta abjeção. (...) Do jeito que a coisa anda, você não apenas será o ditador mais despótico e sanguinário de nossa história, como vai acabar fuzilando minha comadre Úrsula [a mãe de Aureliano], tratando de apaziguar a própria consciência."

(grifos meus)

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Cem Anos de Solidão, p. 171

"Na casa nova , situada no melhor canto da praça, à sombra de uma amendoeira privilegiada com três ninhos de tiês-sangue, com uma porta grande para as visitas e quatro janelas para a luz, estabeleceram um lar hospitaleiro."

(grifos meus)

terça-feira, 1 de março de 2011

Cem Anos de Solidão, p. 146

"(...) Arcádio se dispunha a dar a ordem de fogo ao pelotão de fuzilamento.
 - Se atreve, bastardo! - gritou Úrsula.
Antes que Arcádio tivesse tempo de reagir, ela soltou a primeira chibatada, 'Se atreve só, assassino!', gritava. 'E me mate também, filho da mãe. Porque aí não terei olhos para chorar a vergonha de ter criado um fenômeno.' Açoitando Arcádio sem misericórdia, perseguiu-o até o fundo do pátio, onde ele se enrolou feito um caracol."

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Cem Anos de Solidão, p. 134

"Estou cagando e racagando para essa tal de natura¹."

1 - Lei da natura, justificativa de Pietro Crespi para que José Arcádio não se casasse com Rebeca.

Cem Anos de Solidão, p. 133

"Ela [Rebeca] teve de fazer um esforço sobrenatural para não morrer quando uma potência ciclônica assombrosamente calibrada levantou-a pela cintura e a despojou de sua intimidade com três movimentos de mão, e esquartejou-a feito um passarinho. Conseguiu dar graças a Deus por ter nascido antes de perder a consciência por causa do prazer inconcebível daquela dor insuportável, chapinhando no pântano fumegante da rede que absorveu como um mata-borrão a explosão de seu sangue."

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Cem Anos de Solidão, p. 123

"[o padre Nicanor Reyna] Chegou com o propósito de regressar à sua paróquia depois da boda, mas se espantou com a aridez dos habitantes de Macondo, que prosperavam em escândalos, sujeitos à lei natural, sem batizar os filhos nem santificar as festas. pensando que a nenhuma outra terra fazia tanta falta a semente de Deus, decidiu ficar mais uma semana, para cristianizar circuncisos e gentios, legalizar concubinatos e sacramentar moribundos. Mas ninguém deu importância a ele. Respondiam que durante muitos anos haviam estado sem padre, cuidando dos assuntos da alma diretamente com Deus, e haviam perdido a malícia do pecado mortal." 

(grifos meus)

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Cem Anos de Solidão, p. 119

"Depois de tantos anos de morte, era tão intensa a saudade dos vivos, tão urgente a saudade de companhia, tão aterroradora a proximidade da morte que existia dentro da morte¹, que Prudêncio Aguilar havia terminado por gostar do pior de seus inimigos. Levava muito tempo procurando por ele. Perguntava aos mortos de Riohacha, aos mortos que chegavam do Vale do Upar, aos que chegavam do pantanal, e ninguém sabia dar com ele, porque Macondo era um povoado desconhecido para os mortos até que chegou Melquíades e apontou um pontinho negro nos coloridos mapas da morte."

1 - Porque Prudêncio Aguilar, morto por José Arcádio Buendía com um golpe de lança após uma ofensa, ainda envelhecia.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Cem Anos de Solidão, p. 112

"Poucos meses depois de seu regresso, tinha ocorrido nele [Melquíades] um processo de envelhecimento tão apressado e crítico, que de repente passou a ser tratado como um desses bisavôs inúteis que perambulam feito sombras pelos dormitórios, arrastando os pés, recordando os bons tempos em voz alta, e de quem ninguém cuida nem se lembra até o dia em que amanhecem mortos na cama."

(grifos meus)

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Cem Anos de Solidão, p. 98

"[José Arcádio Buendia] não se queixou de que o governo não os tivesse ajudado [com a fundação de Macondo]. Ao contrário, estava contente porque até aquele dia os deixaram crescer em paz, e esperava que continuassem deixando, porque eles não tinham fundado um povoado para que o primeiro que chegasse fosse logo dizendo o que deveriam fazer."

(grifos meus)

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Cem Anos de Solidão, p. 89

"Com um galho de hissopo com tinta [José Arcádio Buendía] marcou cada coisa com seu nome: mesa, cadeira, relógio, porta, parede, cama, caçarola. Foi até o curral e marcou todos os animais e as plantas: vaca, bode, porco, galinha, aipim, inhame, banana. Pouco a pouco, estudando as infinitas possibilidades do esquecimento, percebeu que podia chegar o dia em que as coisas seriam reconhecidas por suas inscrições, mas ninguém se lembraria de sua utilidade. Então foi mais explícito. O letreiro que pendurou no cachaço da vaca era uma mostra exemplar da forma pela qual os habitantes de Macondo estavam dispostos a lutar contra o esquecimento: Esta é a vaca, e deve ser ordenhada todas as manhãs para que produza leite, e o leite deve ser fervido para ser misturado com o café e fazer café com leite. E assim continuaram vivendo numa realidade escorregadia, momentaneamente capturada pelas palavras, mas que fugiria sem remédio quando fosse esquecido o valor da letra escrita."

(grifos meus)
(grifos originais)

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Cem Anos de Solidão, p. 80

"Mas a tribo de Melquíades, pelo que os vira-mundos contaram, tinha sido varrida da face da terra por haver superado os limites do conhecimento humano."

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Cem Anos de Solidão, p. 44

"Em março os ciganos voltaram. Dessa vez, traziam uma luneta e uma lupa do tamanho de um tambor, que exibiram como sendo o último descobrimento dos judeus de Amsterdã. Sentaram uma cigana num extremo da aldeia e instalaram a luneta na tenda. A troco de cinco pesos, as pessoas chegavam até a luneta e viam a cigana ao alcance das mãos. 'A ciência eliminou as distâncias', apregoava Melquíades. 'Daqui a pouco, o homem vai poder ver o que acontece em qualquer lugar da terra sem sair de casa.'"

(grifos meus)

Cem Anos de Solidão

Título: Cem Anos de Solidão
Título Original: Cien Años de Soledad

Autor: MÁRQUEZ, Gabriel García
Ano em que foi escrito: 1967

Curto: MÁRQUEZ, Gabriel García. Cem anos de solidão. 1967.

Edição: Rio de Janeiro, Record, 2010 - 75ª Edição.
Tradução: Eric Nepomuceno